Quero que Campinas seja realmente uma cidade inteligente e, mais do que isso, uma cidade humana e sustentável.

A Prefeitura de Campinas é a principal protagonista para que isso aconteça, como responsável pela gestão do município e pela oferta de serviços a todos que residem na cidade, exercendo suas atividades pessoais, estudantis, profissionais e empresariais.

Para que isso ocorra, é preciso um horizonte de planejamento de pelo menos dez anos.

Isso excede, é claro, a duração dos mandatos do Legislativo e do Executivo. O objetivo de tornar uma cidade humana e sustentável é quase que um “plano de estado” – e não de um único governo. No nosso caso, um “plano do município” – que não pode ser realizado no horizonte de 4 anos.

O ponto de partida da digitalização é o mapeamento e diagnóstico da situação atual.

Em Campinas isso foi feito.  Foram mapeados:

  • os principais sistemas informatizados existentes na prefeitura (o que existe e o que ainda falta fazer para ela ser 100% digital);
  • a infraestrutura de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) da cidade e os respectivos serviços disponibilizados aos cidadãos.

Tudo isso está num material excelente produzido por um “Conselho Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação”, encabeçado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Social e de Turismo. Esse material chama-se “Planejamento Estratégico Campinas Cidade Inteligente 2019-2029”, apelidado de “PECCI”. O PECCI é o material de referência básico de 90% desta publicação.

Precisamos de uma Secretaria de Tecnologia e Inovação?

Esse Conselho Municipal teve a participação de várias autoridades e especialistas de Campinas, que fez um trabalho de altíssima qualidade.

Entretanto, no meu sentimento, a meu ver está faltando na estrutura da Prefeitura uma Secretaria de Tecnologia e Inovação, que encabece esse planejamento e o viabilize como sua responsabilidade principal.

Se for possível fazer um projeto de lei neste sentido, essa é uma de minhas bandeiras. Em São Paulo ocorreu algo semelhante e o plano de digitalização de todos os serviços só saiu do papel para a prática quando foi criada uma secretaria específica de Tecnologia e Inovação, que tem atuado firmemente desde 2016.

Conclusões sobre o Mapeamento realizado

As soluções mapeadas mostram que Campinas é uma cidade que aparentemente está na vanguarda do desenvolvimento de uma “cidade digital”.

De “cidade digital” para “cidade inteligente”, entretanto, ainda há um longo caminho a ser percorrido. A cidade inteligente pressupõe a participação dos cidadãos na criação dessa inteligência – e isso ainda não ocorre porque a produção de soluções e sistemas tem baixa participação da sociedade.[i]

Tornar-se uma cidade inteligente é complexo e exige muita disciplina por parte de seus atores, principalmente dos gestores públicos. Por exemplo, em Campinas, cada secretaria mapeia a cidade de forma diferente, adotando soluções para as áreas que cada uma delas enxergam. Essas soluções não se integram às necessidades das outras secretarias – e isso gera o que tecnicamente se chama de “silos digitais”.

Então, neste caso, antes de sair gerando soluções, é preciso integrar entre as secretarias a visão que se tem do município. Este é mais um motivo para ter-se uma secretaria específica para Tecnologia e Inovação, que ajude a integrar as diferentes visões que se tem do município, evitando-se desenvolver soluções que não conversam entre si – e que assim diminuem o retorno (em serviços úteis para os cidadãos) sobre os investimentos realizados.

Impactos e importância da digitalização de serviços

A digitalização de serviços – aliada a uma boa infraestrutura de telecomunicações –  impacta – e muito – várias questões ligadas a mobilidade urbana. Reduz drasticamente o deslocamento para os centros (para obter por exemplo serviços da prefeitura e suas empresas associadas), viabiliza mais “home offices”, mais “home schools”, integra os serviços de postos de saúde e hospitais – a lista é longa. Havendo menos deslocamentos, há menos poluição. Diminui a necessidade de investir em obras faraônicas (como BRT) para viabilizar o transporte de bairros periféricos para os centrais. E vai por aí, viabilizando que a cidade seja cada vez mais voltada para as pessoas e não para os automóveis.[ii]

Pode-se dizer – sem estar exagerando – que se não houver digitalização com tecnologias de Internet e comunicação, a cidade ficará sem possibilidade de promover seu crescimento sustentável.

O desenvolvimento sustentável é definido como “O desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades.[iii]

Isso já foi pensado por mais de 193 Nações – e produziu na ONU a conhecida “Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas”. Essa agenda é o grande pano de fundo de todo e qualquer planejamento urbano e serve perfeitamente para nortear a escolha de soluções para uma Cidade Inteligente – soluções que esteja alinhas com os compromissos do desenvolvimento sustentável, permitindo que todas decisões sejam tomadas de forma mais racional e coerente.

Campinas pode rapidamente se transformar num Vale do Silício da América Latina. Um espaço onde se promove a inovação com soluções alinhadas com o conceito de desenvolvimento sustentável.

Os atores que vão contribuir para esta jornada de transformação da nossa cidade são diversos: startups, pequenas, médias e grandes empresas, pesquisadores das universidades e centros de pesquisa e inovação (de Campinas e até de outros municípios).

“O PECCI não só estabelece uma trajetória de futuro para a transformação digital de Campinas rumo a uma cidade inteligente, humana e sustentável, como também a coloca como referência para iniciativas de mesma natureza em outras localidades”. [iv]

Para implementar o que o PECCI propõe muita coisa precisa acontecer na nossa cidade, muitas passando pelo Legislativo, como criação ou modificando de leis, normas e regulamentos já existentes. Se tivermos uma Secretaria responsável, ela poderá cuidar de ações ligadas a governança do plano, ações voltadas para a melhoria da infraestrutura, ações para a implementação de projetos, captação de recursos, o estabelecimento de metas e indicadores e outras não menos importantes – dentro de um cronograma consistente (coisa que se tem pouca afinidade aqui em Campinas). O caminho se faz ao caminhar. E a jornada para termos uma cidade realmente inteligente com uma prefeitura 100% digital apenas começou. Há muito trabalho a ser feito.

 Logomarca Conte com o Novo

[i] Site Conte com o Novo – Cidades Inteligentes, Prefeituras 100% Digitais

[ii] Site Conte com o Novo – Mobilidade Urbana ou Mobilidade Humana?

[iii] Plataforma Agenda Sustentável –  A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável

[iv] PECCI – Planejamento Estratégico Campinas Cidade Inteligente

 

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